Comentário
<< início
Conheça o Santo Daime
- O que é o Santo Daime
- Legislação
- O fardamento

Conheça Nossa ígreja
- Normas e Procedimentos
- Fotos
- Audio e Vídeo

 
Para visualizar os comentários anteriores, clique aqui

OBSESSÃO E DESOBSESSÃO
Postado em: 03/01/2012 22:07

OBSESSÃO  E  DESOBSESSÃO

 

1.  DA OBSESSÃO:

 

A)  CONCEITO:

 

 Kardec [L.E. – 459], pergunta aos Espíritos Superiores se os Espíritos influenciam em nossos pensamentos.

Resp.:“Os Espíritos influenciam em nossos pensamentos e em nossos atos muito mais do que imaginamos. Influem a tal ponto que de ordinário, são eles que nos dirigem”.

Essa influência que os Espíritos exercem sobre os homens pode transformar-se em domínio, numa ação prejudicial, e quando isso ocorre, passa a chamar-se Obsessão.

Kardec [E.S.E.], cap. XXVIII, item 81, assim conceituou Obsessão:

“É a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo”.

Mas, é em O Livro dos Médiuns, cap. XXIII, que Kardec analisa os vários graus de obsessão, assim como suas causas, fazendo um estudo mais amplo e sistemático do assunto.

 

B)  OBSESSORES  E OBSIDIADOS:

 

A primeira impressão que se tem é a de que os Obsessores são sempre e somente os Desencarnados e os Obsidiados, sempre os Encarnados. Mas não é assim.

A Obsessão se faz através do pensamento, estabelecendo-se como que uma Sintonia, ou seja, a Obsessão se faz de mente a mente, de perispírito para perispírito, de Espírito a Espírito, não importa que seja encarnado ou não.

 

Quanto ao seu agente, a Obsessão pode ser:

 

  1. a.      De Desencarnado para Encarnado:

 

Aparentemente, nesta modalidade reside a maior incidência obsessiva, dada a maior facilidade de atuação magnética mental dos Espíritos sobre os Encarnados.

 

  1. b.      De Encarnado para Desencarnado:

 

Ocorre, na maioria das vezes, quando há o desencarne de um ente querido, de forma prematura, por doença ou por acidente. É tão malévola quanto todos os demais tipos e denota uma tendência egoística.

 

  1. c.       De Encarnado para Encarnado:

 

Estabelece-se por Processo Telepático, mediante o qual o pensamento de uma pessoa influencia fortemente o de outra.

Pode-se dizer que esse tipo de obsessão ocorre por hipnose, em que a mente do mais forte domina a mente do mais fraco. Não importa a distância em que se encontre um do outro. Formada a corrente mental, o hipnotizador envolve o sujet com suas emanações mentais de forma tal que este não lhe resiste ao império.

Muito comum, processa-se através dos sentimentos menos dignos: ciúme, inveja, paixão, ódio, orgulho. Em geral, usa-se como meio a chantagem emocional.

 

d.    De Desencarnado para Desencarnado:

 

O processo é também telepático, com a diferença que se faz de um Espírito Desencarnado sobre outro.

Quando do desencarne, o homem leva para o Plano Espiritual, a bagagem moral que tenha obtido em sua vida na Terra.  As criaturas continuam as mesmas, com suas virtudes e seus defeitos. Geralmente, transbordantes de ódio e vingança que, não logrando alcançar seus desafetos quando encarnados, esperam-nos na vida espiritual, para tirarem a inelutável forra do passado que não lograram esquecer. Em alguns casos, chegam a dominá-los de tal maneira que se imantam ao corpo psicossomático do perseguido, formando estranha simbiose espiritual-obsessiva.

 

  1. e.       Obsessão Recíproca:

 

Trata-se de Obsessão de ambos os lados, entre encarnados ou não, que vibram em desequilíbrio numa mesma faixa de onda mental e fluídica inferior, prejudicial, de lado a lado.

O mesmo ódio que nutre um dos obsessores é o alimento do outro. Muita vez, tamanha é a força vibratória negativa que a simbiose obsessiva transforma-se em simbiose física. É o caso dos gêmeos xipófagos, que assim vêm ao mundo porque acham-se unidos por um tremendo ódio comum.

 

f.   Auto-Obsessão:        

 

Quando nos obsediamos a nós mesmo, pelo trabalho excessivo da mente em idéias improdutivas, egoístas, de temor, de orgulho, etc.

É a imaginação fantasiosa, misticismo doentio, as fixações mentais persistentes, o complexo de superioridade ou de inferioridade, enfim, tudo que ultrapassa o limite da normalidade e do bom senso.

Às vezes, a pessoa fica fechada dentro dela mesma, não quer saber de nada; tudo para ela é tristeza, amargura, não participa da vida. Para ela, tudo é ruim, ela não quer viver, não quer participar. Tem oportunidade de ter uma melhora espiritual e física, mas não aceita. A pessoa está sempre negativa, rancorosa, sem participar, e não quer ajuda. E mesmo se alguém procura lhe ajudar, não aceita.

 

C)  CAUSAS  DA  OBSESSÃO:

 

As Causas da Obsessão variam com o caráter do Espírito.

 

As principais são:

 

1.   Por débito de um Espírito para com outro:

 

Originado nesta ou em outra vida. Quase sempre constitui expressão de vingança. Mas, podendo ser por: maldade, inveja ou ódio, que os Espíritos ressentidos nutrem por outros, pelos quais, no seu entendimento, teriam sido prejudicados, direta ou indiretamente.

 

 

2.  Pela Lei da Afinidade Moral:

 

 Atraímos para junto de nós Espíritos com idênticos gostos e vícios, ou seja, pelas nossas imperfeições morais.

Se fumante, cada vez mais sente maior necessidade de fumar transformando-se em piteira viva dos Espíritos que se colam ao seu perispírito, para aspirarem às emanações tabagísticas.

Se dado ao vício da bebida, são cada vez incitados ao alcoolismo pelos Espíritos que se utilizam como caneco vivo para satisfazerem o vício de que continuam escravos até após a morte.

Se aficionados das paixões carnais e usando o sexo desordenadamente, a sexolatria é-lhe intensificada por Espíritos que dele se servem para satisfazer as paixões que a morte não sepultou.

 

D)  SINAIS  DA  OBSESSÃO:

 

Nem sempre é fácil reconhecer-se se determinado caso é de Obsessão, pois, os Obsessores esmeram-se em disfarçar sua atuação e se escondem até por trás das máscaras de males físicos ou psíquicos.

A experiência e um conhecimento Doutrinário Espírita são imprescindíveis para se analisar cada caso e chegar a um diagnóstico preciso.

 

De modo geral, são Indícios de Obsessão as seguintes características:

 

1a)  Mudanças de comportamento:

 

Os hábitos das pessoas se modificam, lenta ou rapidamente: de introvertida que era, por exemplo, torna-se muito falante, externando os sentimentos algo modificado e, não raro, apresenta-se escandalosa. Podendo apresentar olhar fixo ou fugidio, sem encarar a ninguém; agitação; inquietude e intranqüilidade.

 

 

2a)  Modificação dos hábitos de higiene:

 

O indivíduo fica desleixado, não faz mais a higiene habitual, descuida-se da saúde, chegando até a apresentar-se sujo e com as vestes maltratadas, quando não rasgadas ou excentricidade na aparência pessoal.

 

3a)  Apresentação de quadro psiquiátrico:

 

A pessoa passa a ter atitudes estranhas, comportamento inteiramente anormal, ataques que levam ao desmaio, medo e desconfiança injustificados; pranto incontrolável e sem motivo, e, quando levada ao Psiquiatra, este geralmente diagnostica epilepsia, histeria, ou psicose como esquizofrenia.

 

E)   TIPOS  DE  OBSESSÃO:

 

Kardec [L.M.], cap. XXIII, classificou a Obsessão em três tipos:

 

1. Obsessão Simples:

 

Somos todos Espíritos em evolução e carregamos conosco os efeitos das vidas passadas. Por isso, temos boas e más tendências. Se já conseguimos superar certas imperfeições, muitas são ainda as que trazemos conosco. Essas imperfeições dão motivo a estabelecermos sintonia com os Espíritos inferiores, em virtude de nossa invigilância, permitindo-nos pensamentos negativos, viciosos, abrindo brecha à espreita da qual estão esses Espíritos.

Essa modalidade de obsessão tem por causa apenas a exploração dos vícios do Obsidiado pelo Obsessor, que deseja continuar a satisfazer os seus vícios. Como não podem fazê-lo diretamente, por falta do corpo físico, buscam aqueles que lhes podem satisfazer os desejos viciosos.

Não é difícil reconhecer a Obsessão Simples: pensamentos que nos martelam a mente com insistência, impulsos persistentes para fazermos aquilo que condenamos, sentimentos contrários ao nosso modo de ser que teimam em nos angustiar, repetidos e inexplicáveis encontros com pessoas que povoam os nossos devaneios condenáveis.

 

2. Fascinação:

 

Kardec [L.M.] cap. XXIII, item 239, define a Fascinação como “uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito, sobre o pensamento do indivíduo e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio”.

É um estágio obsessivo mais avançado. A influência do Espírito inferior, encontrando campo fértil na mente da criatura, vai assumindo foros de tamanha ordem que, de certa forma, ficam inibidas sua capacidade de crítica e de discernimento. O fascinado perde a noção de dignidade e de compostura, podendo ser levado a situações altamente enganosas, ou a outras que podem comprometê-lo, ocasionando-lhe a perda do respeito dos seus colegas e até o afastamento de familiares e pessoas queridas.

O fascinador é sempre um Espírito ardiloso, que se esconde por trás da máscara de falsas virtudes, apresentando-se sob nomes venerados e falando continuamente em grandes temas, com invocação freqüente do amor e da caridade. Mas, como todo mentiroso, trai-se aqui e ali e, involuntariamente, deixa que os sinais de inferioridade se sobressaiam e se tornem perceptíveis aos circunstantes atentos. Somente o fascinado não consegue percebê-lo, porque está hipnotizado pelo obsessor. Mesmo assim, para que sua vítima não tenha oportunidade de subtrair-se, ainda que momentaneamente, ao seu domínio, o obsessor faz tudo para dela afastar às pessoas esclarecidas, que possam alertá-la e lutar pela sua libertação.

 

3. Subjugação:

 

É o tipo de obsessão mais grave e mais facilmente reconhecível.

Allan Kardec, na obra citada anteriormente, item 240, assim define:

“A Subjugação é uma opressão que paralisa a vontade daquele que a sofre, e o faz agir a seu malgrado. Numa palavra, a pessoa está sob um verdadeiro jugo”.

O subjugado, portanto, fica inteiramente dominado, moral e fisicamente pelo obsessor, e é constrangido a fazer tudo o que este quer. Opera-se uma verdadeira simbiose entre eles, ficando o comando mental exclusivamente com o Obsessor. O subjugado deixa de ter vontade própria e sofre radical transformação na sua personalidade. Parece ser outra pessoa.

 

Kardec classificou a Subjugação em Moral e Corporal:

 

  • Subjugação Moral:

 

Caracteriza-se, pela mudança de personalidade. Quantas vezes uma pessoa, antes digna de moral elevada ou mesmo pacata, de repente se transforma em alguém completamente despudorada, de má conduta, irreverente e até mesmo brincalhão.

Outras vezes um bom filho ou uma boa filha se volta estranhamente contra os pais e os demais familiares, agredindo-os com palavras ásperas e grosseiras e até fisicamente. Há casos extremos em que o filho mata os próprios pais, como se tem visto nos noticiários da imprensa, e depois diz que agiu sob um impulso estranho, ou sem a mínima consciência do que fazia.

Ocorre também, com certa freqüência, que o subjugado passa a quebrar tudo dentro de casa e a agredir física e verbalmente, não só os familiares, mas também todos aqueles com quem tem contato.

A Subjugação Moral assemelha-se em muito à Fascinação, mas enquanto nesta existe alguma interrupção momentânea, na Subjugação Moral o processo é contínuo.

 

  • Subjugação Corporal:

 

O Espírito obsessor atua sobre o organismo do obsidiado. Este passa a apresentar sintomas patológicos os mais diversos, caracterizando doenças persistentes, que não cedem ao tratamento médico.

Por vezes, o obsessor, pode atuar sobre o centro cerebral do subjugado, tornando-o artificialmente paralítico, ou levando-o à letargia, causando-lhe morte aparente.

O subjugado passa a fazer gestos, independentemente de sua vontade: trejeitos, tiques nervosos e, além disso, fica permanentemente irritado.

Manoel Philomeno de Miranda, em seu livro Nas Fronteiras da Loucura, psicografia de Divaldo Franco, trás um outro tipo de subjugação, que ele classificou de Subjugação Psíquica, onde o subjugado configura um quadro psicopático, tipificando as mais diversas neuroses e psicoses, assim como quadro epiléptico. Assim explicado:

“O paciente vai sendo dominado mental, tombando em um estado de passividade; não raro sob tortura emocional, chegando a perder por completo a lucidez, o que não afeta o Espírito encarnado propriamente dito, que experimenta a injunção penosa pela qual purga a irresponsabilidade e os delitos passados. Perde temporária ou definitivamente durante a sua atual reencarnação a área da consciência, não podendo livremente expressar.

Um contínuo aturdimento o toma. A visão, a audição como os demais sentidos confundem a realidade objetiva ao império das vibrações e faixas que registra desordenadamente na esfera física e na espiritual.

O Espírito encarnado movimenta-se num labirinto que o atemoriza, algemado a um adversário que lhe é importante, maltratando-o, aterrando-o com ameaças cruéis, em parasitose firme na desconsertada casa mental.

Por fim, assenhorear-se, simultaneamente, dos centros de comando motor e domina fisicamente a vítima, que lhe fica inerte, subjugada, cometendo atrocidades sem nome”.

É um quadro doloroso para os familiares que às vezes, ficam esgotados, física e financeiramente. Do ponto de vista moral, o sofrimento também é difícil. Isso tudo, leva a considerarem-se injustificados.

 

 

4. Possessão ou Subjugação Completa:

 

É o grau máximo da Subjugação, onde o subjugado aceita e compartilha do pensamento do obsessor.

Kardec [L.M.], 2a parte, cap. XXIII, no item 47, faz a diferença entre Subjugação e Possessão:

 “Na Subjugação, o Espírito atua exteriormente por meio de seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado; este último se encontra então enlaçado como numa teia e constrangido a agir contra sua vontade”.

“Na Possessão, em lugar de agir exteriormente, o Espírito livre se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; faz domicílio em seu corpo, sem que, todavia este o deixe definitivamente, o que só ocorre com a morte”.

 “A Possessão é sempre temporária e intermitente, pois um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, dado que a união molecular do perispírito e do corpo não pode se operar se não no momento da concepção”.

 Kardec complementa, dizendo que:

 “O Espírito, em Possessão momentânea do corpo, dele se serve como o faria com o seu próprio; fala por sua boca, enxerga pelos seus olhos, age com seus braços, como o teria feito se fosse vivo. Já não é mais como na Mediunidade falante, na qual o Espírito encarnado fala transmitindo o pensamento de um Espírito desencarnado; é este último, mesmo, que fala, que se agita, e se o conhecemos quando vivo, reconheceríamos sua linguagem, sua voz, seus gestos e até a expressão de sua fisionomia”.

 

2.  DESOBSESSÃO:

 

A)  TRAMENTO  DA  OBSESSÃO:

 

Chamamos de Desobsessão o tratamento que se ministra ao Obsidiado, aplicando-lhe os meios adequados para combater a Obsessão que o aflige.

O Tratamento da Obsessão, ou seja, a Desobsessão iniciou-se com Jesus, indicando todo o processo terapêutico a ser empregado.

Antes de Jesus os Obsidiados eram marginalizados e objeto de curiosidade e temor pela presença do perseguidor invisível que, em muitos casos, os submetiam à sua vontade.

Jesus, porém, trouxe a lição do amor como remédio e como alimento para os doentes e depauperados da alma, estendendo o seu cuidado amoroso que eram tidos como loucos incuráveis e, como tais, banidos da comunidade.

O Tratamento da Obsessão, segundo a Doutrina Espírita, tem por objetivo não só atingir o Obsidiado, mas também o Obsessor.

Kardec, em A Gênese, cap. XIV, item 46, nos ensina que:

“Para preservá-lo das enfermidades, fortifica-se o corpo, para garanti-la contra a Obsessão, tem-se que fortalecer a alma”.

O Tratamento da Obsessão será realizado pelas seguintes ações:

 

1.  DO  ENCARNADO:

 

O Obsidiado além de procurar um Centro Espírita sério para realizar o tratamento, numa Reunião de Desobsessão deve procurar fazer:

 

a) Reforma Íntima:

 

É importante que o Obsidiado colabore procurando modificar para melhor o seu quadro íntimo, se renovando moralmente e se exercitando na prática do bem, modelando-se progressivamente na vivência evangélica.

Compreenderá, assim, que somos os responsáveis pelas nossas próprias infelicidades e que precisamos retificar conduta, buscando corrigir as nossas faltas.

 

b) Cultivo da Prece:

 

Kardec [ A Gênese], cap. XIV, item 46, nos afirma:

“Em todos os casos de Obsessão, a Prece é o mais poderoso meio de que se dispõe para demover de seus propósitos maléficos o Obsessor”.

É ela que toca o íntimo do Espírito Obsessor e lhe modifica os sentimentos.

Não raro, as pessoas interessadas, diretamente ligadas ao Obsidiado e até ele mesmo, acretidam que as Preces devem ser feitas no Centro Espírita pelo o seu dirigente, pelos Médiuns, pelos integrantes dos trabalhos, enfim, por todos, menos por eles próprios.

Muitos se julgam incapazes de orar ou acham que suas Preces não têm a eficácia que almejam, entregando essa responsabilidade àqueles que, no seu modo de entender, estão mais bem qualificados.

Os benefícios da Prece são infinitos, sendo oportuno recordar que através dela, nos possibilitamos a entrar em sintonia com os Bons Espíritos.

A Prece é verdadeiro alimento espiritual.

 

c) Promover o Estudo do Evangelho no Lar:

 

 Para melhorar a psicosfera doméstica e afastar os Espíritos inferiores.

O Estudo do Evangelho no Lar servem também para sensibilizar o obsessor e, muitas vezes, para melhorar sua disposição, levando-o a perdoar aquele a quem persegue, modificando os seus sentimentos em relação a ele.

 

d) Controle da Vontade:

 

Allan Kardec [L.M.], item 131, nos diz:

“A Vontade não é um ser, uma substancia qualquer; não é sequer uma propriedade da matéria mais etérea que existe. A Vontade é atributo do Espírito, isto é, do ser pensante”.

Até hoje o Ser Humano não se preocupou o suficiente, ou não despertou para essa incrível força que traz dentro de si: a Vontade.

Na Vontade do nosso próprio Espírito está o controle que dirige a energia mental, encaminhando-a para determinado rumo, e de acordo com Emmanuel - e isso é muito importante neste nosso curso - embora a mente venha sintonizar com os pensamentos emitidos por outras pessoas, a Vontade pode impor disciplina íntima, dirigindo e mantendo firmes os pensamentos na direção do bem.

O Controle da Vontade impede o domínio de Espíritos perturbadores, interrompendo o fluxo do processo obsessivo.

É altamente perigoso consentir que Espíritos inferiores instalem, em nossa mente, o gabinete de comando de suas ordens.

Os Obsidiados devem ser esclarecidos do quanto é essencial a sua própria participação no Tratamento e que dele mesmo dependerá, em grande parte, o êxito ou o insucesso do tratamento.

A primeira providencia será no sentido de mudar a direção dos seus pensamentos. Modificando o Estado Mental, arejando a mente, higienizando-a através de pensamentos sadios, otimistas, edificantes.

 

e)    Trabalho Material e Espiritual:

 

O Trabalho Material e Espiritual é a grande benção de nossa vida.

Na mente ocupada não há lugar nem vez para sugestões inferiores.

Ajudar, servir aos necessitados, cooperar nas obras assistenciais é valiosos antídotos à Obsessão.

 A base dos processos obsessivos está na mente. O corpo é simples instrumento de repercussão. Nele, refletem-se os efeitos.

O obsessor só se aproxima através da sintonia, isto é, quando o encarnado está na mesma freqüência. Se a pessoa estiver numa faixa positiva, isso não ocorre, porque nenhum Espírito inferior pode se aproximar e atuar se a pessoa não estiver naquela faixa negativa.

As pessoas somente são obsidiadas se houver afinidade vibratória.

 

f) Estudo da Doutrina Espírita:

 

O estudo da Doutrina Espírita é fator importante, porque proporcionam ao Obsidiado uma visão diferente da vida, levando-o a compreender melhor as causas de suas aflições e a abrir o coração para o perdão dos inimigos.

O conhecimento haurido no estudo e a sedimentação de hábitos salutares formam a base de nossa defesa, o elemento propulsor de nossa caminhada consciente, após o soerguimento.

Quem estuda melhora-se interiormente, esclarece e beneficia a si mesmo e a quantos se lhe aproximam, no caso, especificamente, os Espíritos inferiores.

Onde há oração, Leitura do Evangelho e vigilância, não ocorre obsessão.

Kardec [L.M.], cap.XXIII, 2ª Parte, item 251 diz:

“Não podemos dar aqui senão conselhos gerais, porque não há nenhum procedimento material, sobretudo nenhuma fórmula, nenhuma palavra sacramental que tenha o poder de afastar os Espíritos Obsessores. O que, algumas vezes, falta ao Obsidiado é uma força fluídica suficiente”.

E acrescenta no item 254: “O meio mais poderoso de combater os maus Espíritos é o de aproximar-se o mais possível da natureza dos Bons”.

 

2.  DO  DESENCARNADO:

 

A libertação do Obsidiado só se obtém com o tratamento do Obsessor, que se constitui em verdadeira psicoterapia.

Se conseguir reequilibrar a mente do Obsessor, restabelecendo-lhe a harmonia íntima, fazendo-o compreender os mecanismos que geram o processo obsessivo, já se estará levando-o a retificar a atitude em relação ao Obsidiado.

Segundo Kardec [L.M.], cap. XXIII, item 249:

“Com respeito ao Espírito Obsessor, por mau que seja, é preciso tratá-lo com severidade, mas, procuram firmemente seguir as Leis de Deus. Entretanto, se o orgulho, o preconceito e o comodismo com benevolência e vencê-lo pelo bom proceder, orando por ele. Se é realmente perverso, disso zombará no início; mas moralizando-o com perseverança, acabará por se emendar: é uma conversão a empreender, tarefa freqüentemente penosa, ingrata, desagradável mesmo, mas cujo mérito está na dificuldade, e que, se for bem cumprida, dá sempre a satisfação de realizar um dever de caridade e, freqüentemente, a de ter conduzido ao bom caminho uma alma perdida”.

 

3.  DE  TERCEIROS:

 

Quando o Obsidiado não tiver condições de agir, por estar inteiramente subjugado. São os familiares que precisam atuar em favor dele, não mais apenas para fortalecer os seus esforços, mas para agir como os principais agentes do trabalho domiciliar desobsessivo.

Allan Kardec observa com muita propriedade, que os meios de se combater a obsessão variam de acordo com o caráter de que ela se reveste. Assim, não se pode dar o mesmo tratamento a um caso de Obsessão Simples ao que se dá à Fascinação ou Subjugação.

 

3.  OBSESSÃO  E  LOUCURA:

 

Kardec [L.M.], cap. XXIII, item 256, perguntou aos Espíritos Superiores se a Subjugação Corporal, levada a certo grau, poderá ter como conseqüência a loucura, tendo recebido a seguinte resposta:

 “Pode, a uma espécie de loucura cuja causa o mundo desconhece, mas que não tem relação alguma com a loucura ordinária. Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um tratamento moral, enquanto que com os tratamentos corporais os tornam verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão mais doentes do que com as duchas”.

Yvonne A. Pereira, seu livro Recordações da Mediunidade, no cap. 10, O Complexo Obsessivo nos explica:

“A Obsessão muito prolonga pode ocasionar desordens patológicas. E reclama, por vezes, tratamento simultâneo ou consecutivo, quer magnético, quer médico, para restabelecer a saúde do organismo”.

A confusão entre a Obsessão e a Loucura constitui realmente um grande perigo. Os familiares do suposto doente mental devem estar atentos, porque o tratamento psiquiátrico indiscriminado acaba transformando o subjugado em verdadeiro doente mental, como alertam os Espíritos.

Wanderley Pereira, em seu livro Distúrbios na Infância nos adverte:

“Mas, também requer muito cuidado e critério da parte dos Centros Espíritas, que não podem deixar de orientar sobre a necessidade do acompanhamento médico ou psicológico concomitante com a Assistência Espiritual, porque há situações mais complexas em que os quadros não se definem facilmente por Obsessões. E há os casos mais graves em que as lesões causadas pela Obsessão Espiritual não sanam sem a ação medicamentosa ou das terapias psicológicas adequadas”.

E faz a seguinte advertência:

“Mas nem todas as doenças mentais tem origem na Obsessão, embora sejam de ordem psíquica”.

Ele próprio nos explica:

“Que há casos em que o Espírito é levado a reencarnar em precário estado vibratório, excitado, deprimido, alucinado, desesperado, como decorrência do remorso que o acompanha além-túmulo”.

“Essa dificuldade, e que, se for bem cumprida, dá sempre a satisfação de realizar um dever de caridade e, freqüentemente, a de ter conduzido ao bom caminho uma alma perdida”.

Assim, o que se tem a fazer é buscar, primeiramente, o diagnóstico espiritual, por meio de consulta mediúnica em Centro Espírita de reconhecida seriedade, para saber se o problema é de subjugação para realizar o tratamento espiritual.

  Mas, se o paciente apresentar agitado, insone, violento, e/ou agressivo, há necessidade de um suporte medicamentoso, a ser ministrado por um Psiquiatra, de preferência que seja Espírita, ou que, pelo menos conheça e aceite o Espiritismo.  Isto tem grande importância para que a escolha dos medicamentos se faça de modo adequado. Recorrer também a um bom médico homeopata é uma boa medida, porquanto a Homeopatia possui recursos terapêuticos notáveis para esse tipo de problema.

Tendo em vista essas providências escreve Emmanuel, em prefácio ao livro de André Luiz, Desobsessão:

“Seja no caso de mera influenciação ou nas ocorrências da possessão profunda, a mente medianímica permanece jugulada por pensamentos estranhos a ela mesma, em processos de hipnose de que apenas gradativamente se livrará. Daí ressalta o imperativo de se vulgarizar a assistência sistemática aos desencarnados prisioneiros da insatisfação e da angustia, por intermédio das equipes de companheiros consagrados aos serviços dessa ordem que, aliás, demandam paciência e compreensão análogas às que caracterizam os enfermos da psicose, portas adentram dos estabelecimentos de cura mental”.

 

 

LEGENDA:

 

  1. 1.      L.E. – O Livro dos Espíritos;
  2. 2.      L.M. – O Livro dos Médiuns;
  3. 3.      E.S.E. – O Evangelho Segundo o Espiritismo.

 

– Para saber mais:

 

  1. 1.      Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, cap. XXIII, 36a edição, Instituto de Difusão Espírita, 1995.
  2. 2.      Allan Kardec, A Gênese, 2a parte, cap. XIV, 26a edição, Instituto de Difusão Espírita, 2001.
  3. 3.      André Luiz, Nos Domínios da Mediunidade, psicografia de Fco Cândido Xavier, 22a edição, F.E.B., 1994.
  4. 4.      André Luiz, Nosso Lar, psicografia de Fco Cândido Xavier, 49a edição, F.E.B. 1999.
  5. 5.      Edgard Armond, Mediunidade, 4a edição, Editora Aliança, 1999.
  6. 6.      José Náufel, Do ABC ao Infinito, volume IV
  7. 7.      Manoel Philomeno de Miranda, Nos Bastidores da Obsessão, psicografia de Divaldo P. Franco, 9a edição, F.E.B., 1999.

8.   Manoel Philomeno de Miranda, Nas Fronteiras da Loucura, psicografia de Divaldo P.   Franco,

  9.   Therezinha Oliveira, Mediunidade, Quarta unidade, cap. 23 e 24, 11a edição, C.E.A.K., 2001.